domingo, 24 de junho de 2018

Chaves, Tâmega. Por este rio acima!





Um passeio pedonal sempre agradável. Ao fim da tarde, nestes dias de calor, subindo pela margem esquerda. Uma paisagem sempre bela, verde e florida, agora mais triste, com muitas folhas e ramos pelo chão. O vendaval do passado dia 21 deixou, por aqui, as suas marcas.


Ribeiro a desaguar no rio, ainda com águas turvas.
cerejeira fustigada pelo granizo
Campo normalmente muito florido, nesta altura
Açude de Santa Cruz
Presença simpática das ovelhinhas no circuito......
O rio Tâmega, sempre belo, aproxima-se da ponte de S. Roque. 

domingo, 15 de abril de 2018

Chaves. Um Artesão na rua do Poço.

Chama-se José Casimiro Lopes e é dono de uma oficina de Sapataria no centro Histórico desta cidade, cujos encantos e recantos nos surpreendem a cada momento. Numa das poucas tardes amenas que S. Pedro nos proporcionou no mês de Março, iniciei o meu passeio pelo miradouro do baluarte do Cavaleiro e, quando passava na praça do mesmo nome, verifico que, por baixo da placa indicativa da rua do Poço, se encontrava uma outra manuscrita com a indicação "Oficina de Sapataria". Sigo-lhe o rasto e, passados meia dúzia de metros, aparece-me então a porta nº 70, novamente com a indicação de oficina e horário de funcionamento. Da rua, apreciei durante alguns minutos um exímio artista que, de pé, cantarolava ao mesmo tempo que trabalhava junto de uma máquina. Terminado aquele trabalho, perguntei-lhe se podia entrar e com um sorriso aberto respondeu-me que sim, que não seria a primeira pessoa que ali entrava, com uma máquina fotográfica. Reparei, então, que do tecto pendia um quadro que guardava o recorte de um jornal, onde constava a sua fotografia, a de um amigo e o autor do texto - o escritor Portuense Hélder Pacheco.
Em lugar privilegiado, com cadeira almofadada, permanecia o gato "Leão", seu companheiro de todas as horas do dia.
O Sr. José Casimiro, tendo em conta o volume de trabalho e a forma como se relaciona com os clientes, que tive oportunidade de observar, além de um bom profissional, nota-se que está de bem com a vida. Encaminhei a conversa para estes dois aspectos, tendo-me referido que começou a aprender o ofício aos treze anos, numa oficina junto à muralha, que dava para a rua do Sol. Mas cedo se estabeleceu por conta própria e hoje com 77 anos ainda se sente com forças para fazer este trabalho. Clientes nunca lhe faltaram. Actualmente, na época de Verão, ainda tem muitos que vêm de longe, fazer a época termal, nas Caldas de Chaves. Juntando este rendimento com a magra reforma, consegue viver com a sua família. Quanto à saúde felizmente também não lhe tem faltado.  
Para não lhe ocupar muito tempo, agradeci toda a sua amabilidade e despedi-me. Quando já me abeirava da porta de saída, referiu-me que gostava de ter uma fotografia, senão teria novamente de procurar o jornal onde constasse.
Respondi-lhe, então, que voltaria para trazer-lha......e com muito gosto!
Parabéns Sr. José Casimiro, pela sua arte, pela forma como publicita o seu trabalho e como encara a vida.
Continuei o meu passeio, seguindo a rua do Poço, cujo destino é a torre de Menagem que já espreita lá no cimo.

Em direcção ao Miradouro
 
Vistas do rio e da igreja de S. João de Deus, a partir do miradouro do Cavaleiro


Praça do Cavaleiro
O Sr. José Casimiro, trabalhando.
Recordações expostas na Oficina
O gato Leão em descanso e observação
Um ofício antigo que precisa ser preservado


O Sr. José Casimiro, na despedida.
Em direcção à Torre de Menagem
 

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Santa Valha (Valpaços). Um Povo que reza e canta!

Na sexta-feira Santa, pela madrugada, tem início a Via-Sacra, acto religioso que mantém grande adesão da população.
As catorze cruzes esculpidas em granito, e localizadas em pontos estratégicos do povoado, nesta altura, encontram-se ornamentadas a preceito. Depois de percorridas em oração, a cerimónia religiosa termina na capela de Santa Maria Madalena, verdadeira jóia arquitectónica, em cujo adro se encontra um grandioso Calvário, provavelmente contemporâneo da própria capela. Além de um acto religioso muito participado, apresenta-se também com elevada carga simbólica, pelo papel que é atribuído a Maria Madalena, como principal e primeira testemunha da Ressurreição de Cristo.  Neste povo, existiu uma grande tradição das Endoenças e dizem-me, algumas pessoas mais antigas, que já vem dos seus antepassados a Via-Sacra, percorrendo as Estações dispersas pela aldeia.